Friday, March 19, 2004
O que me resta
C'est tout qui reste a faire
calar-se...
Emprestar a voz
aos passos silenciosos
dos monótonos transeuntes
do Arpoador.
A pedra gelada
imprime em mim
a vontade de escrever...
c'est tout qui reste a faire
e é o que vou fazer.
C'est tout qui reste a faire
calar-se...
Emprestar a voz
aos passos silenciosos
dos monótonos transeuntes
do Arpoador.
A pedra gelada
imprime em mim
a vontade de escrever...
c'est tout qui reste a faire
e é o que vou fazer.
Thursday, March 11, 2004
Avec toi
Poucas palavras
me matam
com um rasante;
Os obscuros,
os tristes...
A pólvora
sai dos braços
no lugar do suor,
e faísca:
o sentimento
é uma explosão,
um flash de fotografia.
Serraram a agonia
em três partes:
cabeça,
tronco,
membros...
Membros deste holocausto...
Sinto decepar
os dedos,
e escrever se torna
impossível,
desprender-se da angústia
se torna impossível...
Os seus olhos grandes...
chore comigo,
meu amigo...
tudo passa mais rápido
com companhia...
vamos chorar,
só isso...
Poucas palavras
me matam
com um rasante;
Os obscuros,
os tristes...
A pólvora
sai dos braços
no lugar do suor,
e faísca:
o sentimento
é uma explosão,
um flash de fotografia.
Serraram a agonia
em três partes:
cabeça,
tronco,
membros...
Membros deste holocausto...
Sinto decepar
os dedos,
e escrever se torna
impossível,
desprender-se da angústia
se torna impossível...
Os seus olhos grandes...
chore comigo,
meu amigo...
tudo passa mais rápido
com companhia...
vamos chorar,
só isso...
Saturday, March 06, 2004
Teu ódio-amor; imerecido
Poeta, podes me fazer minúscula.
Tu, que és minha vida
Levas consigo,
Em fragmento,
As pretensões de meu sentir:
Há um alguém que eu muito amaria
- mas não pertenço.
Não mais mereço
Os atalhos da tua tarde.
Como palavras que
Fogem, em asssombro,
Eu-outra, fictícia,
Feita tão somente
De dores empoçadas...
Tomas-me anônima novamente em teu infinito...
________
Alguém me vê
E aponta:
Dentro da flor aberta
Uma abelha morta.
Hilda Hilst
___________
Poeta, podes me fazer minúscula.
Tu, que és minha vida
Levas consigo,
Em fragmento,
As pretensões de meu sentir:
Há um alguém que eu muito amaria
- mas não pertenço.
Não mais mereço
Os atalhos da tua tarde.
Como palavras que
Fogem, em asssombro,
Eu-outra, fictícia,
Feita tão somente
De dores empoçadas...
Tomas-me anônima novamente em teu infinito...
________
Alguém me vê
E aponta:
Dentro da flor aberta
Uma abelha morta.
Hilda Hilst
___________
Monday, March 01, 2004
Chamei o meu mundo de pena
Usei do silêncio como arma
e disparei o gatilho.
O som era mudo,
pra que no grafite daquela sala
alguém precedesse os disparos.
Tudo perdido
na placidez de um abraço,
tudo previsto
na sensação do descaso...
tudo ignorado, apenas.
Sei que o som
que se recusa a sair da minha voz
parece estar algures,
mas a direção,
inexplicavelmente se atou aos sentidos...
Sentindo dor imensa pelo desprezo
que me cerca
é que faço da faixa da tormenta
um alivio que me expressa...
Chamei atenção de um mundo apenas,
Chamei solidão de passagem amena,
Chamei quase tudo de dó
e só o meu mundo que chamei de pena...
Usei do silêncio como arma
e disparei o gatilho.
O som era mudo,
pra que no grafite daquela sala
alguém precedesse os disparos.
Tudo perdido
na placidez de um abraço,
tudo previsto
na sensação do descaso...
tudo ignorado, apenas.
Sei que o som
que se recusa a sair da minha voz
parece estar algures,
mas a direção,
inexplicavelmente se atou aos sentidos...
Sentindo dor imensa pelo desprezo
que me cerca
é que faço da faixa da tormenta
um alivio que me expressa...
Chamei atenção de um mundo apenas,
Chamei solidão de passagem amena,
Chamei quase tudo de dó
e só o meu mundo que chamei de pena...